"Todo mundo vai e eu fico"
Meu pai não vivia em casa. Apesar de ter as coisas materiais dele na nossa casa, a presença dele era mais ausência do que qualquer outra coisa.. Ele trabalhava com aviões. Engenheiro e nunca entendi direito o que ele fazia. Toda vez que ele explicava virava um borrão. Didática nunca foi o forte dele, muito menos paciência. O tempo junto nem sempre era prazeroso. Na verdade, era raro quando ele tinha atenção verdadeira pra gente, tempo e diversão. Tudo tava errado, o jeito de fazer, a hora de fazer, o lugar de fazer. Bronca, xingo, reprimendas. Tensão e medo. Mas as lembranças boas prevaleciam quando ficava sem ele em casa. Principalmente quando ele ia viajar por meses pra fora e a gente ia ficar. O padrão se repetiu. Primeiro namoro. Terminamos, mas o sentimento era de que ainda estávamos juntos. Ele indo viajar e eu ficando. A dor ...